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quinta-feira, 1 de abril de 2010

A surdez de Beethoven e seus sonhos 

Nada  é mais  grave  para  um  músico  do  que  perder  a  audição.  
Beethoven,  um  dos  gênios  da música,  perdeu-a  depois  de  ter  feito belas composições. Os  recursos médicos  ineficazes o  levaram a uma profunda crise psíquica.  Seus pensamentos  agitaram-se  como  ondas  rebeldes,  sua emoção  tornou-se um  céu  sem  estrelas. Não havia  flores nos  solos da vida. Perdeu o encanto pela existência. Deixar de ouvir e compor músicas era  tirar o chão de Beethoven. Cogitou, assim, no suicídio. Mas  algo  aconteceu. Quando  todos  pensavam  que  seus  sonhos tinham  sido  sepultados  pelo  inquietante  silêncio  da  surdez, surgiram  sorrateiramente  os  mais  espetaculares  sonhos  no  árido solo  da  sua  emoção.  Ante  sua  condição  miserável,  ele  decidiu superá-Ia. Ou Beethoven se calaria diante da surdez ou  lutaria contra ela e faria  o  que  ninguém  jamais  fez:  produzir  músicas  apesar  de  não ouvi-Ias. No entanto, apesar de surdo, ele aprendeu a ouvir o  inaudível, aprendeu a ouvir com o coração. Não desistiu da vida;  ao  contrário,  exaltou-a.  Os  sonhos  venceram.  O  mundo ganhou. Com  indescritível  sensibilidade,  Beethoven  compôs  belíssimas músicas após a surdez. Entre outras atitudes, ouvia as vibrações das notas no solo. A  teoria  da  inteligência  multifocal  revela  que  as  vibrações  do solo produziam ecos na sua memória, abriam inúmeras janelas onde se  encontravam  antigas  composições,  que,  por  sua  vez,  eram reorganizadas, libertando sua criatividade e o fazendo compor novas e encantadoras músicas. 
Quando  no  complexo  teatro  da  mente  humana  há  sonhos,  os surdos  podem  ouvir  melodias,  os  cegos  podem  ver  cores,  os abatidos  podem  encontrar  força  para  continuar.  Os  sonhos  têm  o poder de  nos  levar  a patamares  impensáveis. Quem  dera  fôssemos todos sonhadores! 

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